20090130

FRASES DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar.


O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.


A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca.


No adultério há pelo menos três pessoas que se enganam.


Como as plantas a amizade não deve ser muito nem pouco regada.


A confiança é um ato de fé, e esta dispensa raciocínio.


As dificuldades são o aço estrutural que entra na construção do carácter.


Só é lutador quem sabe lutar consigo mesmo.


A confiança é um ato de fé, e esta dispensa raciocínio.


Se procurar bem você acaba encontrando. Não a explicação (duvidosa) da vida, mas a poesia (inexplicável) da vida.


Entre as diversas formas de mendicância, a mais humilhante é a do amor implorado.


Há homens e mulheres que fazem do casamento uma oportunidade de adultério.


O cofre do banco contém apenas dinheiro. Frustar-se-á quem pensar que nele encontrará riqueza.

FRASES DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

A educação para o sofrimento, evitaria senti-lo, em relação a casos que não o merecem.


Há duas épocas na vida, infância e velhice, em que a felicidade está numa caixa de bombons.


Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundos, mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma força consegue destruir.


Há livros escritos para evitar espaços vazios na estante.


As academias coroam com igual zelo o talento e a ausência dele.


Quem gosta de escrever cartas para os jornais não deve ter namorada.


O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama


e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.


Os homens são como as moedas; devemos tomá-los pelo seu valor, seja qual for o seu cunho.


Adão, o primeiro espoliado - e no próprio corpo.


Cada geração de computadores desmoraliza as antecedentes e seus criadores.


Partido político é um agrupamento de cidadãos para defesa abstracta de princípios e elevação concreta de alguns cidadãos.

FRASES DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

As dificuldades são o aço estrutural que entra na construção do caráter.


As obras-primas devem ter sido geradas por acaso; a produção voluntária não vai além da mediocridade.


Cem máximas que resumissem a sabedoria universal tornariam dispensáveis os livros.


O progresso dá-nos tanta coisa que não nos sobra nada nem para pedir, nem para desejar, nem para jogar fora.


Para a virtude da discrição, ou de modo geral qualquer virtude, aparecer em seu fulgor, é necessário que faltemos à sua prática.


Stop, a vida parou ou foi o automóvel?


Ninguém é igual a ninguém. Todo ser humano é um estranho ímpar.


Porque eu sou do tamanho daquilo que sinto, que vejo e que faço, não do tamanho que os outros me enxergam.


No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra ...


Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.

FRASES DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Ah o amor ... que nasce não sei onde, vem não sei como e dói não sei porque...


Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundos, mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma força consegue destruir.


As leis não bastam. Os lírios não nascem da lei.


Amor é dado de graça,é semeado no vento,na cachoeira, no eclipse.Amor foge a dicionários e a regulamentos vários.


Facil e dificil


Há uma hora em que os dares fecham e as virtudes caem


A amizade vale mais do que um simples ficar com alguém .

20080330

Canto ao homem do povo - Carlos Drummond de Andrade


Para Charles Chaplin

Uma cega te ama. Os olhos abrem-se.
Não, não te ama.
Um rico, em álcool,
é teu amigo e lúcido repele
tua riqueza. A confusão é nossa, que esquecemos
o que há de água, de sopro e de inocência
no fundo de cada um de nós, terrestres. Mas, ó mitos
que cultuamos, falsos: flores pardas,
anjos desleais, cofres redondos, arquejos
políticos acadêmicos; convenções
do branco, azul e roxo; maquinismos,
telegramas em série, e fábricas e fábricas
e fábricas de lâmpadas, proibições, auroras.
Ficaste apenas um operário
comandado pela voz colérica do megafone.
És parafuso, gesto, esgar.
Recolho teus pedaços: ainda vibram,
lagarto mutilado.
Colo teus pedaços. Unidade
estranha é a tua, em mundo assim pulverizado.
E nós, que a cada passo nos cobrimos
e nos despimos e nos mascaramos,
mal retemos em ti o mesmo homem,
aprendiz
bombeiro
caixeiro
doceiro
emigrante
força
do
maquinista
noivo
patinador
soldado
músico
peregrino
artista de circo
marquês
marinheiro
carregador de piano
apenas sempre entretanto tu mesmo,
o que não está de acordo e é meigo,
o incapaz de propriedade, o pé
errante, a estrada
fugindo, o amigo
que desejaríamos reter
na chuva, no espelho, na memória
e todavia perdemos.

20080323

Para Sempre - Carlos Drummond de Andrade

E agora José - Carlos Drummond de Andrade

" Definitivo " (Carlos Drummond de Andrade)

Carlos Drummond de Andrade - O MUNDO

Eu, etiqueta

As Sem-Razões do Amor - Carlos Drummond de Andrade

Não quero ser o último a comer-te - Carlos Drummond de Andrade

Não quero ser o último a comer-te.
Se em tempo não ousei, agora é tarde.
Nem sopra a flama antiga nem beber-te
aplacaria sede que não arde

em minha boca seca de querer-te,
de desejar-te tanto e sem alarde,
fome que não sofria padecer-te
assim pasto de tantos, e eu covarde

a esperar que limpasses toda a gala
que por teu corpo e alma ainda resvala,
e chegasses, intata, renascida,

para travar comigo a luta extrema
que fizesse de toda a nossa vida
um chamejante, universal poema.

A língua lambe - Carlos Drummond de Andrade

A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.

E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,

entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.

No mármore de tua bunda

No mármore de tua bunda gravei o meu epitáfio.
Agora que nos separamos, minha morte já não me pertence.
Tu a levaste contigo.

A kiss, un baiser, un bacio - Carlos Drummond de Andrade

A kiss, un baiser, un bacio
para a terra que o acolheu.
Assim quis nosso Stefan Baciu
saudar o Rio antigo e seu.

Não muito antigo, mas trint’anos
tecem uma quase eternidade.
Entre danos e desenganos,
resta porém a claridade

(ou a penumbra) de lembrar
em surdina dias e gentes,
muito doce, bem devagar.
E as coisas tornam-se presentes.

Jornal e bonde e mortadela
comida à pressa, num minuto.
Contra a sorte cinz’amarela,
a Poesia: último reduto.

Praias e ondas do Havaí,
pulsando ao sol e ao vento vário,
não nos tiram Baciu daqui:
carioca ele é, mais que honorário.

A castidade com que abria as coxas - Carlos Drummond de Andrade

A castidade com que abria as coxas
e reluzia a sua flora brava.
Na mansuetude das ovelhas mochas,
e tão estreita, como se alargava.

Ah, coito, coito, morte de tão vida,
sepultura na grama, sem dizeres.
Em minha ardente substância esvaída,
eu não era ninguém e era mil seres

em mim ressuscitados. Era Adão,
primeiro gesto nu ante a primeira
negritude de corpo feminino.

Roupa e tempo jaziam pelo chão.
E nem restava mais o mundo, à beira
dessa moita orvalhada, nem destino.

No corpo feminino, esse retiro - Carlos Drummond de Andrade

No corpo feminino, esse retiro
- a doce bunda - é ainda o que prefiro.
A ela, meu mais íntimo suspiro,
pois tanto mais a apalpo quanto a miro.

Que tanto mais a quero, se me firo
em unhas protestantes, e respiro
a brisa dos planetas, no seu giro
lento, violento... Então, se ponho e tiro

a mão em concha - a mão, sábio papiro,
iluminando o gozo, qual lampiro,
ou se, dessedentado, já me estiro,

me penso, me restauro, me confiro,
o sentimento da morte eis que o adquiro:
de rola, a bunda torna-se vampiro.

Lira do amor romântico - Carlos Drummond de Andrade

Ou a eterna repetição

Atirei um limão n’água
e fiquei vendo na margem.
Os peixinhos responderam:
Quem tem amor tem coragem.

Atirei um limão n’água
e caiu enviesado.
Ouvi um peixe dizer:
Melhor é o beijo roubado.

Atirei um limão n’água,
como faço todo ano.
Senti que os peixes diziam:
Todo amor vive de engano.

Atirei um limão n’água,
como um vidro de perfume.
Em coro os peixes disseram:
Joga fora teu ciúme.

Atirei um limão n’água
mas perdi a direção.
Os peixes, rindo, notaram:
Quanto dói uma paixão!

Atirei um limão n’água,
ele afundou um barquinho.
Não se espantaram os peixes:
faltava-me o teu carinho.

Atirei um limão n’água,
o rio logo amargou.
Os peixinhos repetiram:
É dor de quem muito amou.

Atirei um limão n’água,
o rio ficou vermelho
e cada peixinho viu
meu coração num espelho.

Atirei um limão n’água
mas depois me arrependi.
Cada peixinho assustado
me lembra o que já sofri.

Atirei um limão n’água,
antes não tivesse feito.
Os peixinhos me acusaram
de amar com falta de jeito.

Atirei um limão n’água,
fez-se logo um burburinho.
Nenhum peixe me avisou
da pedra no meu caminho.

Atirei um limão n’água,
de tão baixo ele boiou.
Comenta o peixe mais velho:
Infeliz quem não amou.

Atirei um limão n’água,
antes atirasse a vida.
Iria viver com os peixes
a minh’alma dolorida.

Atirei um limão n’água,
pedindo à água que o arraste.
Até os peixes choraram
porque tu me abandonaste.

Atirei um limão n’água.
Foi tamanho o rebuliço
que os peixinhos protestaram:
Se é amor, deixa disso.

Atirei um limão n’água,
não fez o menor ruído.
Se os peixes nada disseram,
tu me terás esquecido?

Atirei um limão n’água,
caiu certeiro: zás-trás.
Bem me avisou um peixinho:
Fui passado pra trás.

Atirei um limão n’água,
de clara ficou escura.
Até os peixes já sabem:
você não ama: tortura.

Atirei um limão n’água
e caí n’água também,
pois os peixes me avisaram,
que lá estava meu bem.

Atirei um limão n’água,
foi levado na corrente.
Senti que os peixes diziam:
Hás de amar eternamente.

O seu santo nome - Carlos Drummond de Andrade

Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda razão (e é raro).
Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão
de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra
que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie.

Somem canivetes - Carlos Drummond de Andrade

Fica proibido o canivete
em aula, no recreio, em qualquer parte
pois num país civilizado
entre estudantes civilizadíssimos,
a nata do Brasil,
o canivete é mesmo indesculpável.

Recolham-se pois os canivetes
sob a guarda do irmão da Portaria.

Fica permitido o canivete
nos passeios à chácara
para cortar algum cipó
descascar laranja
e outros fins de rural necessidade.

Restituam-se pois os canivetes
a seus proprietários
com obrigação de serem recolhidos
na volta do passeio, e tenho dito.

Só que na volta do passeio
verificou-se com surpresa:
no matinho ralo da chácara
todos os canivetes tinham sumido.